
Espirrando a Crônica
03/09/2003
Daquelas danadas, sabe como é? Das que derrubam. Te deixam na cama. Pois é onde deveria estar agora se tivesse uma outra profissão qualquer. Ligava para o serviço e, se precisasse, até arrumava um atestado médico. Dependendo da situação, faturava dois ou três dias.
Mas estou aqui, com o nariz escorrendo, depois de algumas pílulas e uns chás que uma boa samaritana me fez.
Estou dizendo isto porque sei que tem muita gente com gripe nestes dias frios. E esta gripe já deve ter nome. Sim, gripe que se preza logo tem um nome, já notou? Se não, é resfriado mesmo.
Me lembro quando era garoto, 13 anos, interno num colégio de padres, quando apareceu a Gripe Asiática. Acho que foi a mais famosa do século passado. Era tão danada que antes de chegar já era famosa. Claro, como o nome diz, começou lá na Ásia. E veio vindo. Os jornais anunciavam que ela já estava na Europa.
Aqui, no terceiro mundo, a gente se preparava para enfrentar a gripe que vinha de longe, a gripe famosa no mundo todo. E quando ela chegou, derrubou todo mundo. Foi um orgulho para todos nós. Estou revendo agora o dormitório do internato cheio de garotos deitados. Febre alta, aulas suspensas, um horror. Ninguém morreu, mas todo mundo deitou.
Dei uma geral agora na internet para ver se esta minha gripe já tem nome, pois, já disse, gripe sem nome, pra mim, é resfriado. E, apesar de todo mundo estar com ela, ainda não tem, não.
Pouco sei sobre gripes, apesar de ser filho de médico. Sei que a palavra tem origem francesa. Donde se conclui que foi lá que surgiu o vírus? Tem cara de francesa mesmo esta doença. Passou por Portugal e chegou nos nossos índios matando boa parte deles. Entradas e Bandeiras, se chamava a gripe naquela época.
Hoje em dia até o Bin Laden já virou nome de gripe: quando você pensa que acabou, ela volta mais surpreendente ainda.
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Dava tudo pra saber o que ele falaria sobre essa nova gripe, renderia uma boa cronica.

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